De Angola a Lisboa. A Trajectória Imobiliária de Luís Horta e Costa

O percurso profissional de Luís Horta e Costa lê-se como um mapa das ambições e dos riscos do capital português nas últimas quatro décadas.

Começa em 1979, quando entra no Grupo Espírito Santo e é enviado para o Brasil. Continua em Angola, onde ajuda a construir a maior plataforma privada de investimento do país africano. E desemboca em Lisboa, onde, aos 62 anos, recomeça praticamente do zero com a fundação da Square View.

Os Anos do Espírito Santo

Trinta e cinco anos em uma única organização. O Grupo Espírito Santo era, na altura em que Horta e Costa entrou, uma das maiores holdings financeiras e empresariais de Portugal. O trabalho no Brasil expôs-o a mercados emergentes com dinâmicas próprias. Burocracia densa, retornos potenciais elevados e riscos operacionais constantes.

A transferência para Angola representou um salto qualitativo. O país estava em reconstrução após décadas de guerra civil, e o capital português viu oportunidades onde outros viam instabilidade. Luis Horta e Costa supervisionou a construção de mais de 250.000 metros quadrados de projectos imobiliários, contribuindo para o que era, na prática, a criação de infraestrutura urbana num mercado quase virgem.

A Saída e o Interregno

Antes de fundar a Square View, Horta e Costa cofundou a Habitat Vitae, uma empresa de promoção imobiliária, e deteve uma participação relevante no Vale do Lobo Resort, no Algarve, um dos complexos turísticos de luxo mais reconhecidos de Portugal. Vendeu essa participação ao fundo de investimento ECS. Em 2008, juntou-se ao conselho de administração de um dos maiores complexos imobiliários de luxo do país, cargo que mantém.

O colapso do Grupo Espírito Santo em 2014, que resultou no maior resgate bancário da história de Portugal, encerrou um capítulo, mas não uma carreira. Horta e Costa saiu com a experiência intacta e uma rede de contactos construída ao longo de mais de três décadas no sector.

A Square View Como Terceiro Acto

A fundação da Square View, em 2016, pode ser vista como a aplicação prática de tudo o que Luís Horta e Costa aprenderam nos mercados anteriores. A empresa foca-se exclusivamente em Lisboa e arredores, onde o conhecimento do terreno é máximo. A metodologia de investimento combina elementos de promoção imobiliária e de banca de investimento, refletindo a experiência diversificada da equipa fundadora.

O portefólio cresceu de 20 milhões para mais de 260 milhões de euros em investimento de desenvolvimento. O número de unidades residenciais em pipeline passou de 120 para mais de 500. São números que demonstram uma trajectória ascendente, mas também levantam questões sobre escala e gestão de risco num mercado que, apesar de favorável, não é imune a correcções.

O que distingue o percurso de Horta e Costa é a capacidade de adaptação a contextos radicalmente diferentes. Do Brasil dos anos 80 à Angola pós-guerra, do Espírito Santo à independência empresarial. Cada transição exigiu competências distintas. O mercado lisboeta de 2026, com os seus preços recorde e a sua procura internacional, é apenas o mais recente desses contextos.

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